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Hemocentro alerta sobre redução da oferta de sangue nesta época do ano

Instituições lembram Dia Nacional do Doador, comemorado hoje

Hemocentros de todo o país lembram, nesta segunda-feira (25), o Dia Nacional do Doador do Sangue. A data foi instituída há 60 anos em homenagem à Associação Brasileira de Doadores Voluntários de Sangue.

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Mudanças climáticas exigem adaptações, mas ainda não são prioridade

Heitor Shimizu, de Michigan | Agência FAPESP – As mudanças climáticas globais impõem riscos às cidades e levam à necessidade de desenvolver planos de adaptação. Mas de que modo cidades como São Paulo, que contam com tantos outros problemas de infraestrutura e desenvolvimento, podem desenvolver uma capacidade adaptativa que permita responder eficientemente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas?

Encontrar respostas para essa pergunta é um dos objetivos de uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da University of Michigan (UM), com financiamento da universidade norte-americana em conjunto com a FAPESP.

Segundo as coordenadoras do projeto, as professoras Gabriela Marques Di Giulio, da Faculdade de Saúde Pública da USP, e Maria Carmen Lemos, da School of Natural Resources and Environment da UM, a crescente compreensão de que ações de mitigação não serão suficientes para evitar os impactos climáticos tem levado a um aumento no número de cidades no mundo que apresentam planos de adaptação, reconhecendo os riscos associados às mudanças climáticas e os impactos nos seus sistemas socioecológicos.

Apesar disso, há muitas outras em situação de risco que pouco têm feito. E os motivos são limitações econômicas, institucionais ou políticas, que reduzem a capacidade de prover serviços básicos, infraestrutura e suporte às suas populações.

Di Giulio e Lemos, que apresentaram a pesquisa no dia 28 de março na FAPESP Week Michigan-Ohio, que ocorre até 1º de abril nas cidades de Ann Arbor e Columbus, nos Estados Unidos, apontam que pesquisas têm identificado recursos e estruturas de governança que aumentam as chances de uma adaptação bem-sucedida. E compreender como esses recursos interagem positiva e negativamente é essencial para construir cidades mais resilientes e sustentáveis.

“São Paulo, por exemplo, que é nosso foco de pesquisa, faz parte do C40 Cities Climate Leadership Group [rede de megacidades comprometida com os desafios envolvidos nas mudanças climáticas globais] e é uma das poucas megacidades que contam com uma política municipal sobre mudanças climáticas globais, instituída em 2009, ainda que a maioria dos objetivos não tenha sido atingida”, disse Di Giulio.

Segundo ela, em São Paulo o desafio é integrar políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas com políticas de moradia, saneamento, planejamento urbano, gerenciamento de recursos hídricos e mobilidade urbana.

“Trata-se de uma região metropolitana com alta heterogeneidade em termos de acessos a recursos, níveis de pobreza e capacidade de interagir com as mudanças climáticas”, disse.

“Por meio de nossa pesquisa, procuramos entender como uma megacidade, no caso São Paulo, tem se mobilizado para lidar com riscos e ameaças das mudanças climáticas, como os tomadores de decisão em ciência, políticas e sociedade civil percebem os riscos climáticos na esfera local e como fatores contextuais influenciam a capacidade adaptativa local”, disse.

A pesquisa se baseou em métodos qualitativos, que incluem revisão da literatura científica, pesquisa documental – análise de pesquisas de opinião pública, conteúdo jornalístico, documentos e dados socioeconômicos –, entrevistas com atores e grupos sociais e reuniões técnicas e científicas, explicou Di Giulio.

O projeto colaborativo apoiado pela FAPESP e pela UM conta, além de Di Giulio e Lemos, com mais dois pesquisadores no Estado de São Paulo e um em Michigan.

Os pesquisadores já realizaram quatro missões no projeto desde outubro de 2014, que incluíram a realização de um seminário, um workshop e encontros em São Paulo e em Michigan.

Entre os resultados do projeto, Di Giulio mencionou a publicação de artigos como Building adaptive capacity in the megacity of São Paulo, Brazil: urgencies, possibilities and challenges, apresentado em 2015 na RC21 International Conference, International Sociological Association, na Itália, e “Megacidades e mudanças climáticas: um enfoque interdisciplinar sobre o município de São Paulo”, a ser publicado este ano como capítulo de um livro.

Outras cidades brasileiras

“Estamos construindo uma plataforma analítica para entender melhor o processo complexo da adaptação, especialmente se considerarmos as incertezas relacionadas às projeções climáticas de ocorrência e frequência de eventos extremos. Em termos de fatores contextuais que influenciam diretamente a capacidade de adaptação, também analisamos como as restrições econômicas, institucionais e políticas afetam a capacidade das cidades de prover serviços básicos e de apoiar as populações, infraestruturas e ecossistemas atuais”, disse Di Giulio.

Segundo a pesquisa, a população em São Paulo tende a ver as mudanças climáticas como um problema menor. “As pessoas reconhecem os impactos das mudanças climáticas, mas, ainda que preocupadas, para elas esses impactos competem com outros assuntos, que as pressionam mais”, disse Di Giulio.

Os pesquisadores analisaram políticas urbanas recentes em São Paulo, entre as quais intervenções específicas em sistemas de mobilidade, moradia e iniciativas de infraestrutura sustentável, mas consideram que essas e outras medidas não têm sido descritas como ações de adaptação às mudanças climáticas.

O projeto continua com o desenvolvimento do CiAdapta (Cidades, Vulnerabilidade e Mudanças Climáticas), uma abordagem integrada e interdisciplinar para analisar ações e capacidade de adaptação. O novo projeto, com duração até 2017, é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O CiAdapta envolve seis capitais brasileiras: São Paulo, Manaus, Fortaleza, Vitória, Curitiba e Porto Alegre.

Outro projeto conduzido por Lemos e Di Giulio envolve as cidades do Estado de São Paulo. “Pretendemos desenvolver uma plataforma teórica e metodológica para analisar a adaptação climática aplicável a todas as cidades com população entre 20 mil e 500 mil habitantes. Inicialmente, desenvolvemos um questionário que foi distribuído para essas cidades com a colaboração da Secretaria Estadual do Meio Ambiente”, disse Lemos, que fez a graduação na Universidade Federal de Juiz de Fora e o mestrado e doutorado no Massachusetts Institute of Technology.

“É importante destacar que o que as cidades fizerem agora irá prepará-las para as mudanças climáticas globais e a plataforma que estamos desenvolvendo poderá ajudar nas tomadas de decisões não apenas as cidades contidas na pesquisa, mas também outras cidades no Brasil”, disse a professora da UM.

Hormonoterapia será oferecida em unidades de saúde de SP

O serviço facilitará o acesso à forma correta de fazer o tratamento hormonal e evitará a automedicação, que é um risco para a saúde

Um novo serviço será oferecido à população transexual na cidade de São Paulo. Além do acompanhamento psicológico e endocrinológico, as nove unidades básicas de Saúde (UBS) do centro da capital paulista passarão a prestar gratuitamente o serviço de terapia hormonal.

Antes de começar o tratamento, as pessoas interessadas na hormonoterapia deverão passar por consultas psicológicas e endocrinológicas. Na primeira fase de atendimento das unidades, o serviço será oferecido às beneficiárias do Projeto Transcidadania, programa da prefeitura de recolocação profissional, reintegração social e resgate da cidadania destinado ao público LGBT em situação de risco.

O uso de hormônios sem acompanhamento médico é um perigo grave. “Muitas vezes, essas pessoas procuram se automedicar, com hormônios ou outros procedimentos que buscam uma melhoria estética do corpo, afetando profundamente a saúde. Isso acarreta, às vezes, custos muito maiores para o Sistema Único de Saúde”, afirmou o secretário de Saúde do Município, Alexandre Padilha.

Segundo a articuladora social Nicole Maia, a abertura de novas unidades com atendimento especializado para o público LGBT deverá facilitar o acesso à forma correta de fazer a hormonoterapia.

Nicole, que recorreu à automedicação, faz um alerta: “normalmente as informações são de amigas, que recomendam os hormônios. Quando seu corpo começa a mudar, você quer tomar mais. Comecei com um comprimido. Em seguida, já estava tomando cinco injeções em um fim de semana. Isso é uma bomba para o corpo”.

Fonte: Portal Brasil, com informações da Agência Brasil

Pesquisadores da FSP/USP revelam condições de saúde bucal de crianças e adolescentes do extremo sul de São Paulo.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de São Paulo, em parceria técnico-científica com o CECOL/USP – Centro Colaborador do Ministério da Saúde em Vigilância da Saúde Bucal, que reúne pesquisadores das Faculdades de Saúde Pública (FSP) e de Odontologia (FO) da USP, divulga os principais resultados da pesquisa denominada “Relação entre Qualidade de Vida e Condições de Saúde Bucal”, em atividade na FOUSP, em 29/5/15.

Os dados foram coletados em 2013 e se referem a crianças e adolescentes, de 5 e 12 anos de idade respectivamente, residentes nos distritos administrativos de Parelheiros e de Engenheiro Marsilac, localizados no extremo sul da capital paulista.

As condições de saúde bucal consideradas na pesquisa foram a cárie dentária, os problemas de mordida (oclusopatias), a prevalência e a gravidade da fluorose dentária, as necessidades de tratamento odontológico e os impactos dessas condições bucais na qualidade de vida dessa população, avaliado pelo grau de dificuldade para realização de atividades do dia-a-dia.

Conhecer essas condições é muito importante para identificar as ações necessárias para prevenir doenças e promover a saúde e, também, para o planejamento e organização dos serviços públicos odontológicos.

Foram examinadas, por dentistas e auxiliares da SMS, 1.179 pessoas (5 anos = 588, 12 anos = 591). Essas idades são as recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde para pesquisas desse tipo. A metodologia adotada em São Paulo é também a recomendada pela OMS.

CÁRIE DENTÁRIA

Observou-se que aos 5 anos de idade 61,4% das crianças estavam livres de cárie no distrito de Parelheiros, mas apenas 38,6% no distrito de Engenheiro Marsilac. Para avaliar o significado desse valor, deve-se levar em conta que a OMS havia fixado que, para o ano 2000, essa porcentagem deveria ser superior a 50%. Como não foram fixadas metas para o período mais recente, essa referência é ainda hoje bastante utilizada em vários municípios para avaliar sua situação. Assim, essa meta, embora se refira a um momento no passado, ajuda a avaliar a situação na região do Extremo Sul de São Paulo, em 2013.

Aos 5 anos as crianças de Parelheiros apresentaram 1,6 dentes, em média, atingidos pela cárie, mas a média registrada para Engenheiro Marsilac foi de 3,1. O valor médio obtido pela Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, em 2010, para a macrorregião Sudeste foi 2,1. Para 12 anos de idade, a meta da OMS para o ano 2000 foi de no máximo 3 dentes CPO (ou seja, dentes permanentes cariados, perdidos e obturados). A média CPO para Parelheiros foi 0,8 e para Engenheiro Marsilac 1,6 indicando diferença estatisticamente significativa entre os distritos paulistanos, embora em ambos tenha sido atingida a meta fixada pela OMS para o ano 2000.

O padrão 2 de distribuição da cárie dentária na população da cidade de São Paulo é semelhante à situação encontrada para a região Sudeste, e na comparação com outras regiões do mundo, pode ser caracterizado como de baixa prevalência. Mas predominou o componente “cariado”, tanto aos 5 quanto aos 12 anos de idade, indicando a persistência de dificuldades de acesso aos serviços odontológicos para tratamento.

A baixa prevalência da doença decorre do acesso da população aos fluoretos propiciado pelas políticas públicas que asseguram a fluoretação da água de abastecimento público e que estimulam a implementação de programas de escovação dental supervisionada com dentifrício fluorado em pré-escolas e nas escolas de primeiro grau.

OCLUSÃO DENTÁRIA

Aos 12 anos de idade, a má oclusão estava presente em 38,7% dos adolescentes de Parelheiros e em 42,4% em Engenheiro Marsilac. A ocorrência desse problema na população brasileira foi de 38% em 2010. A má oclusão foi considerada muito grave ou incapacitante em 6,9% dos adolescentes de Parelheiros e em 7,8% em Engenheiro Marsilac.

FLUOROSE DENTÁRIA

Predominou a ausência de fluorose dentária em ambos os distritos. Entre os adolescentes com fluorose dentárias, as formas de maior ocorrência foram as muito leve e leve, observando-se 19,2% em Parelheiros e 13,4% em Engenheiro Marsilac. Tais valores correspondem às expectativas para situações de exposição a múltiplas fontes de produtos fluorados (creme dental, alimentos, água, dentre outras), assemelhando-se aos níveis encontrados em outros municípios brasileiros.

Aos 12 anos de idade apenas 0,5% foram classificados como tendo fluorose dentária moderada em Engenheiro Marsilac e 0,5% com fluorose dentária severa em Parelheiros. Assim, esses distritos paulistanos não se diferenciam do que vem sendo observado em outras localidades.

NECESSIDADES DE TRATAMENTO ODONTOLÓGICO

Em relação às necessidades de tratamento odontológico, a prevalência de crianças de cinco anos e adolescentes de 12 anos com necessidades de procedimentos restauradores é elevada com valores mais altos para o DA Engenheiro Marsilac. Em ambos os distritos administrativos, 39,8% dos adolescentes necessitam de uma ou mais restaurações dentárias, 7,5% necessitam de tratamento de canal e 5,2% precisam extrair um ou mais dentes.

IMPACTO DAS CONDIÇÕES BUCAIS SOBRE A QUALIDADE DE VIDA

Os impactos das condições bucais sobre a qualidade de vida foram, em geral, baixos, mas praticamente 100% dos adolescentes sentiram, em algum grau, esses impactos. Em ambas as regiões, eles foram mais intensos nos domínios relativos à dificuldade para comer e para beber. Valores superiores foram observados no DA Parelheiros.

As limitações funcionais registram escores de 3,9 em Parelheiros e 3,3 em Engenheiro Marsilac. O comprometimento do bem-estar emocional foi de 3,1 e 2,6 respectivamente. As condições de maior frequência de queixa relacionadas a esses impactos foram a retenção de resíduos alimentares, o mau hálito, dor e dificuldade para beber ou mastigar alimentos quentes/frios, preocupação com o que as outras pessoas pensam; e inibição do sorriso/risada na presença de outros adolescentes.

Aedes aegypt

São Paulo abriga os quatro sorotipos do vírus da dengue

Atualmente, na região macropolitana de São Paulo, circulam os quatro sorotipos do vírus da dengue. Isto indica que há hiperendemicidade da doença no Estado de São Paulo. Além disso, já há casos de infecção por dois destes sorotipos ao mesmo tempo, o que pode estar envolvido em manifestações graves da doença. Com esta situação, semelhante ao que acontece na Ásia, o risco de infecção em crianças aumenta. As constatações são de uma pesquisa feita no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, em parceria com a Faculdade de Medicina de Jundiaí, Prefeitura Municipal de Jundiaí, Prefeitura Municipal do Guarujá e um laboratório particular da região.

“É a primeira vez que uma cidade do tamanho de São Paulo enfrenta este tipo de situação. A maior cidade do hemisfério sul agora tem os quatro sorotipos da dengue. Isso não é uma boa notícia”, explica Paolo Zanotto, professor do Departamento de Microbiologia do ICB e um dos coordenadores da pesquisa. O estado de hiperendemicidade ocorre quando existe a cocirculação de todos os sorotipos do vírus em alta prevalência infectando pessoas em uma área. No caso da dengue, hoje cocirculam na região paulista todos os tipos encontrados no País: o DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Esta situação é mais grave quando se dá em áreas populosas, como é o caso de São Paulo.

A constatação levou os pesquisadores a anteverem uma possível mudança de perfil epidemiológico dos afetados pela dengue. Devido ao acúmulo de imunidade contra vários sorotipos do vírus em pessoas mais velhas, os jovens podem se tornar a faixa etária que mais manifesta a doença. Segundo Zanotto, a situação é semelhante à da Ásia, onde o perfil epidemiológico também mudou em 1950. Agora, o professor avalia que o único modo de controlar o surto nas próximas semanas seria a queda da temperatura ambiental, que reduziria a taxa de reprodução do mosquito Aedes aegypti, o vetor do vírus. Mesmo com a estiagem que São Paulo enfrentou neste primeiro semestre, “[o mosquito] consegue infestar locais de menor precipitação”, comenta ele.

O estudo iniciou em 2011 e está em fase de preparo de manuscritos e de reformulação de objetivos para uma nova etapa. Ele foi desenvolvido durante o doutorado de Julian Villabona Arenas, no ICB, e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que vem publicando trabalhos sobre surtos urbanos. Recentemente, por meio de sequenciamento massivo de última geração, o grupo identificou os sorotipos DENV-1 e DENV-4, ao mesmo tempo, no sangue de um mesmo paciente, o que já foi também observado na Ásia. “Não sabemos quais as implicações da superinfecção para a patogenia e a epidemiologia da dengue ”, explica Villabona-Arenas. Além disso, em um recente trabalho da equipe, foram detectados recombinantes de vírus da dengue de um mesmo sorotipo causados por superinfecção.

A pesquisa busca entender como funciona o tráfego do vírus da dengue na região macropolitana de São Paulo. Assim, os estudos foram feitos na cidade de Jundiaí, no limite a noroeste da área, e em Guarujá, no litoral Sul. O professor explica que foram detectados vírus isolados em ambas as cidades que são relacionados, e conclui que “linhagens virais estavam sendo trocadas entre Jundiaí e Guarujá, ou seja, era plausível haver vírus passando pela Grande São Paulo, o que ficou evidenciado pelo aumento recente de prevalência na região, percebida pela população geral”.

As análises
Em pronto-socorros destas cidades, pessoas com suspeita de dengue tiveram amostras de sangue coletadas. Com elas, os pesquisadores fizeram um exame chamado imunocromatografia, para detectar a presença de três moléculas: os anticorpos IGg, IGm e a proteína viral NS1, no sangue dos pacientes infectados com algum vírus da dengue. Caso haja IGm detectável no sangue, a conclusão é que há uma infecção recente. Se houver NS1, é sinal de que a pessoa ainda está com o vírus replicando nela no momento da coleta. Já no caso de haver IGg, conclui-se que a pessoa já foi infectada por algum outro sorotipo do vírus anteriormente.

Depois destas constatações, as amostras eram enviadas para uma segunda análise. Nesta etapa, foi feito o sequenciamento do material genético do vírus. Assim, pôde-se constatar a presença de todos os quatro sorotipos do vírus da dengue nos pacientes.

Nas próximas fases da pesquisa, os pesquisadores tentarão entender melhor as mutações que o vírus sofre, por meio de seu cultivo em células, bem como em compreender como a dengue se espalha, levando em conta fatores ambientais, socioeconômicos e clínicos dos pacientes.

Imagem: Wikimedia Commons

Mais informações: email pzanotto@usp.br

Fluoretação da água apresenta níveis adequados em SP

Na cidade de São Paulo, 54% das amostras de água fluoretada apresentaram benefício máximo contra a cárie dentária e 99% têm risco mínimo para a ocorrência de fluorose dentária. Os dados são apresentados em pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP realizada pelo cirurgião dentista Carlos César Soares, especialista em saúde coletiva. O pesquisador defende a necessidade de que os dados estejam a disposição de todos os cidadãos, em cumprimento à legislação de acesso à informação.

A pesquisa, orientada pelo professor Paulo Capel Narvai, da FSP, apresenta dados produzidos pelo sistema de vigilância da fluoretação da água no município de São Paulo, realizada pela Secretaria Municipal de Saúde, entre 1990 e 2011. “Por ser pioneira nessa política de vigilância, a cidade de São Paulo possui o banco de dados mais extenso sobre a fluoretação no Brasil”, afirma Soares.  “O estudo utilizou critérios estabelecidos em um seminário realizado na FSP, em 2011, para avaliar os níveis de proteção contra cárie dentária proporcionados pela fluoretação das águas de abastecimento público, bem como os riscos de ocorrência de fluorose dentária, doença associada a ingestão de níveis elevados de flúor”.

A análise do banco de dados mostra que 54% das amostras de água coletadas apresentaram benefício máximo contra a cárie e 44% oferecem benefício moderado. “Em 99% dos casos, foi observado risco baixo para fluorose dentária”, conta o cirurgião dentista.

Teor ótimo de fluor
Em média, no período estudado, a cidade de São Paulo apresentou 0,66 miligramas por litro (mg/l) de flúor para cada litro de água. “A Resolução SS 250, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, adotada em 1995, estabelece um mínimo de 0,6 mg/l e o máximo de 0,8 mg/l de flúor”, aponta Soares. “A média está próxima do teor ótimo estipulado pela Resolução, que é de 0,7 mg/l”.

Entre os anos de 1990 e 2003, as amostras eram coletadas em 63 pontos fixos na cidade de São Paulo, com obtenção de 750 amostras em média por ano.   “Após a criação da Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) da Secretaria Municipal de Saúde, em 2004, os locais de recolhimento passaram a ser variáveis”, relata Soares.  ”Em 2010, foram coletadas 1.871 amostras de água, o que mostra uma tendência de aumento”.

O pesquisador sugere que os dados das coletas sejam georreferenciados, passando a especificar o local onde foram realizadas. “Essa informação permitirá fazer a análise espacial dos resultados”, aponta.

Soares também defende que dados produzidos pelos sistemas de vigilância em saúde possam ser acessados de forma livre, independente de solicitação. “O acesso à informação é garantido pela Lei 12.527, de 2011, conhecida como Lei de Acesso à Informação e regulamentada pelo decreto 7.774,de 2012, que estabeleceu o Serviço de Informações ao Cidadão (SIC), além de disposições sobre o governo eletrônico”, explica.

Conduta do parceiro influencia decisão de realizar aborto

A decisão feminina de interromper uma gestação está relacionada ao conhecimento da gravidez pelo parceiro e à reação que este esboçou no momento da descoberta. Tal afirmativa é resultado da pesquisa de mestrado da psicóloga Daniele Nonnenmacher, que também constatou que o abortamento, mais conhecido como aborto, frequentemente se associa à depressão, independente de ser provocado ou espontâneo. A pesquisa, realizada na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), comparou resultados obtidos em São Paulo (SP) e Natal (RN), e concluiu que a participação masculina está associada à decisão de abortar.

“Embora avanços sociais tenham ocorrido, seguem enraizados na identidade feminina princípios culturais e sociais que, diante da situação de abortamento, despertam na mulher conflitos e ambivalências”, explica Daniele. Na capital paulista, as reações negativas e a falta de participação do parceiro contribuíram à decisão de provocar o aborto. Já em Natal, a ausência deste no momento em que a gravidez se confirmou foi associada a seu interrompimento.

Nas duas capitais, a distribuição das religiões entre as mulheres que abortaram não foi diferente da média populacional de cada região, de acordo com o censo de 2010 feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disto, os dados apontaram que o aborto provocado foi mais frequente em mulheres solteiras, com menor numero de gestações e de abortamentos espontâneos anteriores, tanto em Natal, quanto em São Paulo.

Aborto espontâneo
A pesquisa também incluiu a vivência do aborto espontâneo, aquele em que a gestação é interrompida involuntariamente, devido a algum problema no desenvolvimento embrionário. Esta escolha foi feita pois há poucos estudos que associem os dois tipos de abortamento ou que considerem os aspectos emocionais da perda espontânea. Segundo a psicóloga, “a não concretização [da gravidez] ou sua recusa são muitas vezes criticadas pela sociedade, sendo a mulher responsabilizada ou mesmo estigmatizada por isso”, já que a maternidade ainda é um forte símbolo de representação da mulher.

A média de depressão das mulheres que abortaram foi de 50% em São Paulo e de 72,7% em Natal, sem apresentar grandes diferenças entre os tipos de aborto. O número é considerado alto em relação às taxas comuns nas mulheres, que giram entre 5 e 9%. Mesmo que no período gestacional esses índices tenham tendência a se elevar, isso “reforça a relevância dos aspectos emocionais da mulher diante desta experiência, independente de ser espontânea ou provocada, e a importância de uma atenção integral”, finaliza.

O estudo foi um desdobramento do projeto Culpa, Ansiedade e Depressão na Vivência do Abortamento Provocado, realizado pela FMUSP, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Nele, foram entrevistadas ao todo 316 mulheres que haviam sofrido aborto recente, internadas em um hospital em Natal e três hospitais em São Paulo. Além das entrevistas, todas elas passaram por um teste que avaliou a existência de depressão. Os dados foram coletados entre julho de 2008 e maio de 2010, reunidos na dissertação de mestrado, que pode ser baixada aqui.

A dissertação de mestrado Abortamento: depressão e percepção das mulheres quanto às reações e condutas do parceiro em duas capitais brasileiras foi apresentada em julho de 2013 na FMUSP. A orientação foi da professora Glaucia Rosana Guerra Benute.